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AGRO SUSTENTA SUPERÁVIT DO BRASIL, MAS SÃO PAULO VÊ EXPORTAÇÕES DO SETOR RECUAREM EM AGOSTO

AUGE01
17 de Setembro de 2026 às 03:07
5 min de leitura
AGRO SUSTENTA SUPERÁVIT DO BRASIL, MAS SÃO PAULO VÊ EXPORTAÇÕES DO SETOR RECUAREM EM AGOSTO

Agronegócio brasileiro exportou US$ 15,18 bilhões e gerou saldo positivo de US$ 13,49 bilhões no mês; no Estado de São Paulo, setor permaneceu superavitário, mas sentiu forte retração do complexo sucroenergético

A balança comercial brasileira fechou agosto de 2026 com superávit de US$ 7,39 bilhões, avanço de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. Mais uma vez, o agronegócio teve participação expressiva na geração de divisas para o país.

Segundo levantamento do Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), as exportações brasileiras do agronegócio alcançaram US$ 15,18 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 1,68 bilhão.

O resultado foi um superávit setorial de aproximadamente US$ 13,49 bilhões, 6,9% superior ao registrado em agosto do ano passado.

AGRO AVANÇA 6,7% NAS EXPORTAÇÕES

As vendas externas do agronegócio brasileiro cresceram 6,7% na comparação anual. As importações do setor também avançaram, mas em ritmo menor: 5%.

A diferença entre os números evidencia a característica fortemente superavitária do comércio exterior agropecuário brasileiro.

E a soja em grãos continuou ocupando a liderança.

Foram US$ 4,41 bilhões exportados em agosto, crescimento de 14% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Faesp.

CAFÉ, FRANGO E CELULOSE CRESCEM

Outros produtos importantes também tiveram desempenho positivo nas exportações brasileiras.

O café verde avançou 24,1%, enquanto a celulose cresceu 30,2%. O farelo de soja apresentou aumento de 35,9% e a carne de frango in natura, 39,4%.

Um dos movimentos percentuais mais expressivos ocorreu com os bovinos vivos, cujas exportações avançaram 182,6%, atingindo, segundo o levantamento, o maior valor mensal da série analisada para o produto.

No frango, a recuperação também chama atenção diante da base de comparação de 2025, período afetado pela suspensão temporária das compras chinesas após a ocorrência de influenza aviária no Brasil. A China havia suspendido as importações em maio de 2025 e retomou as compras posteriormente.

NEM TODOS OS PRODUTOS ACOMPANHARAM A ALTA

Apesar do resultado geral positivo, algumas importantes commodities brasileiras apresentaram retração.

A receita das exportações de carne bovina in natura caiu 19,7%, chegando a US$ 1,21 bilhão.

Também recuaram:

  • Milho: -25,3%
  • Açúcar de cana em bruto: -41,9%
  • Suco de laranja: -47,4%

Os números mostram que um superávit crescente do agronegócio não significa crescimento uniforme de todas as cadeias produtivas.

SÃO PAULO SEGUE CAMINHO DIFERENTE

Quando o recorte passa para o Estado de São Paulo, o cenário muda.

As exportações paulistas totais atingiram US$ 6,43 bilhões em agosto, crescimento de 6,4%.

Entretanto, as importações cresceram muito mais: 17,1%, chegando a US$ 8,38 bilhões.

Consequência: o déficit comercial paulista passou de aproximadamente US$ 1,1 bilhão em agosto de 2025 para US$ 1,9 bilhão em agosto deste ano.

AGRO PAULISTA AINDA TEM SUPERÁVIT, MAS PERDE FORÇA

O agronegócio paulista continuou no azul, com saldo positivo de aproximadamente US$ 1,6 bilhão.

Mas esse resultado representa uma queda de 21,7% em relação a agosto do ano passado.

As exportações do agro paulista somaram US$ 2,04 bilhões, retração de 16,6%.

Uma das explicações está no desempenho do complexo sucroenergético, extremamente relevante para a economia agroindustrial de São Paulo.

As vendas externas de açúcar de cana em bruto caíram 45%. No açúcar refinado, a retração foi de 21,2%, enquanto as exportações de álcool etílico diminuíram 58,9%.

Segundo a análise da Faesp, houve redução tanto das quantidades exportadas quanto dos preços médios, com maior peso da queda dos volumes comercializados.

SUCO DE LARANJA TAMBÉM DESPENCA

Outro produto emblemático do agronegócio paulista sofreu forte retração.

As exportações de suco de laranja caíram 58,5%.

Também foram registradas reduções nas receitas externas de carne bovina in natura (-30,6%), sebo bovino (-28%) e café verde (-18,8%).

O resultado merece atenção porque São Paulo possui participação relevante justamente em cadeias agroindustriais de maior valor agregado, como açúcar, etanol e citricultura.

MAS ALGUNS PRODUTOS DISPARAM

Em meio às quedas, outros segmentos apresentaram crescimento expressivo.

O farelo de soja paulista avançou 160,9% nas vendas externas. O algodão não cardado nem penteado cresceu 136,8%.

O café solúvel avançou 169,8%, enquanto as exportações de óleo essencial de laranja aumentaram 101,6%.

Segundo a Faesp, nesses produtos o crescimento esteve relacionado principalmente ao aumento das quantidades embarcadas.

IMPORTAÇÕES DO AGRO PAULISTA CRESCEM

Do outro lado da balança, São Paulo importou US$ 485,5 milhões em produtos do agronegócio, crescimento de 5,6%.

Os salmões lideraram a pauta e tiveram aumento de 48,4%.

Também avançaram as importações de trigo (+46,7%), vestuário e outros produtos de algodão (+41,8%), leite em pó (+25,8%) e papel (+14,9%).

De maneira geral, segundo o Departamento Econômico da Faesp, o crescimento esteve associado ao aumento das quantidades adquiridas. Para salmão e trigo, também houve elevação dos preços médios.

DOIS RETRATOS DIFERENTES DO MESMO MÊS

Agosto terminou, portanto, mostrando dois movimentos distintos.

No Brasil, o agronegócio ampliou suas exportações e aumentou o superávit comercial.

Em São Paulo, o agro continuou gerando saldo positivo, mas suas exportações recuaram significativamente, pressionadas principalmente pelo desempenho do complexo sucroenergético e do suco de laranja.

Essa diferença é importante porque impede uma leitura simplista dos números nacionais.

O AGRO BRASILEIRO AVANÇOU EM AGOSTO, MAS O AGRO PAULISTA NÃO ACOMPANHOU O MESMO RITMO.

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Fonte: Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp); dados oficiais de comércio exterior utilizados no levantamento.

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