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Depressão não é falta de trabalho, presidente Lula

PLENONEWA
01 de Setembro de 2026 às 13:36
3 min de leitura
Depressão não é falta de trabalho, presidente Lula
Depressão e trabalho (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels

Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou polêmica ao afirmar que nunca teve tempo para depressão, porque precisava trabalhar.

A frase pode ter sido uma referência à sua própria história. Mas, quando pronunciada pelo presidente da República, diante de milhões de brasileiros, precisa ser analisada com responsabilidade.

Como psicóloga, preciso dizer com clareza:

Depressão não é falta de trabalho, não é preguiça e não é ausência de força de vontade.

Estamos falando de um transtorno mental sério, capaz de comprometer profundamente a vida emocional, familiar, social e profissional.

Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que a prevalência de depressão ao longo da vida no Brasil seja de aproximadamente 15,5%. No mundo, a Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 332 milhões de pessoas vivam com depressão.

E existe um dado que deveria encerrar qualquer tentativa de simplificar essa relação: segundo a OMS, depressão e ansiedade provocam a perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano, representando cerca de 1 trilhão de dólares em perda de produtividade para a economia mundial.

Ou seja, muitas vezes, não é a falta de trabalho que explica a depressão. É a própria doença que compromete a capacidade de trabalhar.

Trabalho pode proteger, mas também pode adoecer
É evidente que o trabalho digno pode contribuir para a saúde mental. Ele oferece propósito, autonomia financeira, convivência social e sentimento de pertencimento.

Mas a própria OMS reconhece que ambientes profissionais inadequados, sobrecarga, insegurança no emprego, assédio e jornadas excessivas também podem representar riscos à saúde mental.

Portanto, dizer que alguém não teve tempo para depressão, porque precisava trabalhar, pode transmitir uma mensagem perigosa para quem enfrenta a doença.

Durante décadas, pessoas deprimidas ouviram frases como: Isso é falta do que fazer, você precisa reagir ou vai trabalhar que passa.

Esse preconceito precisa acabar, não ser reforçado.

Estamos falando de vidas
A OMS estima que mais de 720 mil pessoas morram por suicídio todos os anos no mundo. Por isso, saúde mental não pode ser tratada com simplificações.

Não estou afirmando que Lula tenha negado a existência da depressão ou desejado atacar quem sofre com a doença; mas uma experiência pessoal não pode servir como parâmetro para compreender um transtorno que atinge milhões de pessoas.

Há trabalhadores com depressão. Há empresários, professores, médicos, policiais, agricultores, mães, pais e jovens enfrentando depressão. Muitos continuam trabalhando enquanto sofrem silenciosamente. Outros, pela gravidade do quadro, temporariamente sequer conseguem trabalhar.

Todos merecem respeito e acesso ao tratamento!

O Brasil precisa ampliar prevenção, diagnóstico e assistência em saúde mental, além de combater o preconceito que ainda impede tantas pessoas de procurar ajuda.

Depressão não é frescura! Não é preguiça, nem falta de trabalho.

Quando estamos falando de sofrimento humano e de vidas que podem estar em risco, saúde mental precisa ser tratada com ciência, humanidade e responsabilidade.

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